Edição 72 - JUL / 2007
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É preciso repensar nossa espécie
Virgínia Rodrigues

Temos de conviver diariamente, ou melhor, a cada minuto, com notícias boas e notícias ruins. Como aprendi no filme "Um Sonho de Liberdade", ou você se ocupa de viver ou se ocupa de morrer. Ou seja, em que você tem mais investido? Como tem gerenciado seus próprios pensamentos?

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a Escola Nacional de Ciência Estatística (Ence) acabam de revelar que o custo da violência no Brasil foi estimado em 5,09% do Produto Interno Bruto (PIB). Outra estimativa inédita diz respeito às 24 milhões de ocorrências criminais no Brasil, das quais apenas 28% chegam ao conhecimento da Justiça.

No Rio de Janeiro, estudantes universitários de classe média espancaram uma empregada sem o menor motivo. A taxa de repetência de primeira a quarta série no Brasil é pior do que a do Camboja, 21%, segundo pesquisa divulgada pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). CPIs se acumulam. Renan Calheiros desmoralizou o Senado etc. etc. etc.

Ufa! É tempo de repensar nossa raça humana. Precisamos refletir para onde estamos caminhando e que tipo de homens estamos formando. Independentemente das adversidades econômicas, sociais, climáticas que existam, é mais que notório que a humanidade não sabe mais administrar suas emoções e faz delas o seu pior inimigo. Somos a única espécie que consegue pensar, mas não somos capazes de treinar o que sentimos e pensamos.

Logo, sob a ditadura do ódio e do stress, cada um de nós tem se tornado refém dos instintos, inábil para perceber que não podemos viver escravos de fracassos nossos ou alheios, seja do Governo, seja da iniciativa privada.

Sim, os avanços tecnológicos e da Ciência não impediram o crescimento da agressividade, do individualismo. Porque o problema está na alma do homem que produz a Ciência. Diante do caos, tanto aéreo quanto terrestre, nos permitimos ser mais tristes, menos contemplativos e mais sujeitos a doenças psíquicas. Aonde vamos parar?

Em salas de aula, em ambientes de trabalho, em saguões de aeroportos, em consultórios ou em salas de estar, nos aglomeramos com um imenso sentimento de solidão. Temos de repensar nossas vidas. E, se com Cristo pode parecer difícil, imaginemos sem Ele? Daí a proposta de reposicionar o pensamento, já que o próprio Paulo nos disse para "transformar nossa mente".

Por que estamos perdendo o sentimento de gratidão? Ocupar-se de viver é também sempre "trazer à memória aquilo que pode nos dar esperança". Já não temos mais paciência para contemplar as coisas simples. Estamos dando mais importância àquilo que nos aborrece e, sem perceber, não mudamos nossa atenção para um melhor foco. Por quê?

Vivemos para trabalhar ao invés de trabalharmos para viver. Não nos treinamos para encarar o trabalho com prazer. Andamos ansiosos pelo que teremos para vestir, comer, usar, ler, comprar, pagar... Mas Ele disse para não sofrermos por antecipação, para não sermos ansiosos.

Estamos desistindo dos outros e, muitas vezes, de nós mesmos. E é sem nenhuma razão específica que escrevo estas linhas. No momento, não para falar de reportagens, mas de vida. Pois acho que todos (sejam mais ou menos seguidores de Jesus), necessitamos nos dar mais chances, quantas forem necessárias, para se ocupar de viver. Vamos repensar!



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