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EDIÇÃO 49 > VIDA CRISTÃ
Violência e desarmamento
Osmar Ludovico

Em levantamento feito pela Unesco entre 57 países, o Brasil é o segundo em que mais mortes ocorrem por causa das armas, sejam assassinatos, suicídios ou mesmo acidentes. A cada ano morrem de 35 a 40 mil brasileiros por armas de fogo.
     As Escrituras nos relatam que a primeira cena de violência foi o assassinato de Abel por seu irmão Caim. Ela aconteceu logo depois da queda de Adão e Eva, a rebelião primordial que tirou a humanidade de sua inocência e introduziu o mal neste planeta.
     As causas da guerra e da violência não são só circunstanciais, sociais, econômicas, geopolíticas, mas decorrentes do pecado, da natureza caída do homem. “De onde procedem as guerras e as contendas que há entre vós, senão dos prazeres que militam na vossa carne” (Tiago 4:1). “Porque do coração do homem procedem os maus desígnios, e os homicídios...” (Mateus 15:19).
     No momento em que se discute no Brasil a questão do desarmamento devemos nos perguntar qual a resposta das Escrituras para a questão da violência e do mal.
     Jesus foi até as últimas conseqüências, movido pelo Seu amor. Em face do mal e da violência, Ele entrega Sua vida para Seus amigos e Seus inimigos. A única resposta possível em face do mal e da violência é o amor e o perdão que surgem de uma vida santa. Esta é a resposta de Deus ao mal: um amor maior que responde ao mal com o bem.
     “Pai, perdoa-lhes por que não sabem o que fazem” (Lucas 23:24). Cristo, que nos convida a entrar no combate do mal, não com as armas do mal, mas com a insondável profundeza de Seu perdão, diz: “...amando nossos inimigos e intercedendo por eles” (Mateus 5:44). Seu convite é intensamente atual num mundo onde há tanta insegurança, tanta angústia, onde a humanidade perdeu o apreço e o valor da vida. Quando respondemos ao mal com o mal só retroalimentamos o mal que se torna mais impiedoso, mais brutal, mais odioso. Só um grande amor pode quebrar o círculo vicioso do mal. Frente aos Seus detratores e algozes, Cristo oferece a outra face, e na cruz do Calvário, olhando firmemente para o grande Inimigo, o vence pela oferta de Seu amor e morre em pé desmascarando o mal.
     Só um amor desarmado pode derrubar as fortalezas do ódio e quebrar o círculo infernal da violência, abrindo um horizonte de paz e compreensão.
     Esse combate somente podemos efetuar com Ele e por meio dEle. “Nem por força nem por violência, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor” (Zacarias 4:6). Quando nos voltamos inteiramente para Deus, então encontramos a fonte desse amor que vence o mal. Assim, pouco a pouco, ao longo da vida, aprendemos a nos desarmar, a desmontar nossa obsessão de ter razão em todas as coisas, em ter a palavra final, em atacar e humilhar quando nos sentimos ameaçados. Esse é o combate maior que travamos, o combate em nosso coração endurecido pelo pecado, que insiste em sermos os primeiros e a respondermos o mal com a vingança. Quando aprendemos a responder o mal com o bem, não mais nos associamos ao mal.
     “A resposta branda desvia o furor” (Provérbios 15:1). Assim, com Cristo, aprendemos a ser solidários, pacientes, tolerantes e a enfrentar o mal e a violência com o bem e a paz.
     Podemos então olhar para Jesus Cristo como aquEle que enfrentou, expôs e venceu a maldade dos fariseus e a violência do Império Romano com a oferta de Sua própria vida. A História recente mostra como forças impiedosas como o racismo e a colonização foram confrontados e vencidos de forma não-violenta por Martin Luther King Jr., nos Estados Unidos, e Gandhi, na Índia.
     Nesse sentido os cristãos devem se pronunciar a favor do desarmamento e atuar cada vez mais como cidadãos responsáveis que buscam fazer o bem, promovendo a vida e enfrentando a cultura de morte que ceifa a vida de tantos conterrâneos, na sua maioria jovens urbanos. O desarmamento e uma rigorosa fiscalização do mercado paralelo de armas certamente vai fazer baixar os alarmantes índices de crimes mencionados no primeiro parágrafo.  
     A violência no Brasil somente poderá ser atenuada se homens e mulheres seguidores de Jesus Cristo se unirem num grande mutirão que promova a paz e a justiça. Somos cerca de 20 milhões de cristãos convertidos neste país, espalhados em todos os segmentos da vida pública e privada. É tempo de nos arrependermos de nossa omissão frente ao mal e levantarmos nossa voz profética denunciando a injustiça e proclamando o Evangelho da paz e da reconciliação.

Osmar Ludovico é um dos pastores da Comunidade de Cristo, em Curitiba, e trabalha com grupos de espiritualidade, casais e restauração.

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