Esta é a história de três homens, seus preparativos e a forma como passaram o Natal.
Eram gentios, magos da Babilônia, de onde os judeus
foram cativos 500 anos antes, de onde profetizaram Ageu, Neemias,
Zorobabel. Certamente eram sábios, letrados, nobres, ricos e com
conhecimentos de astronomia.
Tinham um desejo principal. Um desejo debaixo do
qual estavam todos os outros desejos. O desejo de conhecer, adorar,
presentear, exaltar, glorificar e ajoelhar-se diante do Deus vivo,
encarnado no Filho.
E responderam à informação que tinham: fragmentos
das Escrituras na Biblioteca da Babilônia. Primeiramente a revelação
escrita, as profecias messiânicas do Antigo Testamento chamaram a
atenção dos magos.
Depois houve um sinal dos céus, uma estrela que
chamou a sua atenção. A astrologia relata um extraordinário fenômeno
ocorrido no ano de 7 d.C. – a conjunção de Júpiter com Vênus. Baseados
nos relatos das Escrituras e com o discernimento das estrelas, eles
seguem para a Palestina em busca do recém-nascido rei dos judeus. As
Escrituras nos relatam uma relação simbólica entre o Messias e a
estrela: Ele é a Brilhante Estrela da Manhã (Apocalipse 22:6).
Surpreendente maneira de Deus guiar: um fragmento
das Escrituras e uma estrela nos céus. Uma longa viagem – 880
quilômetros –, dia após dia. Atentos aos detalhes, às Escrituras, ao
sinal no céu. A longa viagem, a peregrinação, a vida como desinstalação
constante.
Os magos são movidos pelo imenso desejo de encontrar
o Senhor, e a partir de um fragmento das Escrituras e de um sinal nos
céus, se desinstalam e empreendem uma longa viagem, chegam sem o
endereço certo e têm de perguntar. Assim, Deus os guia em direção a um
encontro pleno com Seu Filho.
Assim é a vida: como uma peregrinação. E, sob o
olhar e a direção de Deus, seguimos sempre em direção ao Seu Filho.
Como os magos, dia após dia, sem desanimar, numa viagem sem volta.
Os magos chegam a Jerusalém e são recebidos por
Herodes. Há um contraste flagrante com Herodes: ele se sente ameaçado.
Ele convoca um concílio para saber onde nasceria o Messias. Os escribas
sabem e respondem: em Belém, a Casa do Pão. São lideres religiosos que
conhecem intelectualmente a Palavra, mas ela não alcança seus corações,
sua alma, suas entranhas, seus desejos, suas emoções. Herodes, o lobo,
parece interessado: “Avisem-me onde está para eu também ir adorá-lO.”
Os magos prosseguem e chegam até uma casa, entram e
encontram um menino. Deus Altíssimo, o criador do universo, é um
menino. Nossa salvação procede de algo pequeno, quase despercebido. Nós
esperamos o grandioso, o poderoso, o extraordinário, o palco e o
holofote. Os magos encontram um menino, um rebento, um renovo, um
brotinho.
Olhos abertos para os sinais pequenos da revelação
de Deus. Achamos simples e pequeno e negligenciamos. A glória de Deus
no sorriso de uma criança. Ele nos visita por intermédio de um nenê.
Jesus de Nazaré é o bebê na manjedoura, o menino que
brinca diante dos magos, o jovem anônimo e desconhecido, o pregador
rejeitado na sua cidade, o homem despido pendurado na cruz. O mundo
continua gritando suas promessas de felicidade, nos saturando com
mensagens egoístas e desumanizadoras. A promessa de salvação só pode
ser percebida por aqueles que enxergam o essencial, o pequeno, o
despercebido, o simples.
Diante do menino os magos se prostram, trazem seus
presentes: ouro, incenso e mirra, e O adoram. Presentes para o
verdadeiro rei, o perfeito sacerdote, o supremo e único salvador. Nesse
momento eles encontram provisão e memória para a vida toda. Experiência
única do encontro com Deus, de dobrar os joelhos e adorá-lO.
São, então, advertidos em sonho para não voltar à
presença da corte de Herodes. Não devem contar nada. Uma experiência
profunda seguida de uma frustração. Voltar sem alarde, sem estrela,
fugidos na calada da noite por outro caminho, um novo caminho.
No Natal, os magos conheceram Deus que, após uma
experiência profunda, os guia de volta ao seu dia-a-dia, aparentemente
sem proveito imediato ou público, para o cotidiano, para o longo
caminho de volta para casa, transformados pela experiência do encontro
com Ele. Com a alma e a memória repletas de provisão para o resto de
suas vidas.
Osmar
Ludovico da Silva, diretor e mentor espiritual, dirige cursos de
espiritualidade, revisão de vida e de pastoreiro de pastores e
missionários. Casado com Isabelle e pai de Priscila e Jonathan, reside
em Cabedelo, Paraíba.