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EDIÇÃO 55 > CARTA AOS PASTORES
Por que sofremos?
Dores de parto
Russel Shedd

As palavras encontradas em Romanos 8 foram escolhidas por Paulo para descrever um mundo sujeito a catástrofes como o tsunami, que ceifou mais de 200 mil pessoas na Ásia, um dia depois do Natal de 2004. Nos meados de 2005, um terremoto ceifou dezenas de milhares de vidas, derrubando vilas inteiras em Caxemira (Paquistão e Índia). O furacão Katrina inundou milhares de casas em New Orleans e provocou a morte de mais de mil pessoas. A frase descritiva da Bíblia afirma que “a natureza criada geme até agora, como em dores de parto” (Rm 8.22).

Os sofrimentos que atingem a todos em grau mais ou menos intenso seriam uma conseqüência da maldição que toda a natureza sofreu em decorrência do pecado de Adão, que desobedeceu a ordem direta de Deus. “A criação foi submetida à inutilidade (...) por causa da vontade daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria natureza criada será libertada da escravidão da decadência em que se encontra, recebendo a gloriosa liberdade dos filhos de Deus” (Rm 8.20 e 21).

Os cristãos, que têm os primeiros frutos do Espírito, gemem interiormente, porque os sofrimentos que atingem a humanidade em geral não poupam os filhos de Deus. Porém o sofrimento tem um significado diferente para aqueles que participam da salvação em Cristo. Os que não crêem no Evangelho não têm condições de interpretar corretamente os sofrimentos pelos quais são obrigados a passar. Parece-lhes nada mais que o azar. O Apóstolo declara que sofrimento cristão não pode ser comparado com aquela glória que será revelada neles um dia. Esse dia da revelação da glória dos filhos será o dia de sua adoção, o dia que eles esperam ansiosamente (v. 23). A “adoção” refere-se ao dia em que, com corpos transformados para sermos iguais ao corpo de Jesus após a ressurreição, seremos eternamente isentos de sofrimento de “inutilidade”.

Para os que não crêem, os sofrimentos que afligem a vida não têm significado algum. São como acidentes que ocorrem por acaso. Como pensavam os gregos da Antiguidade, não existe nada senão o fatalismo cego. Desconhecendo o motivo que planejou o acontecimento, tudo ocorre inutilmente. A criação foi sujeita à vaidade ou futilidade por causa da rebelião do homem, que decidiu obedecer à sugestão do Diabo em vez do Criador.

Para os que crêem no único Deus Todo-poderoso e Soberano, todos os acontecimentos têm um propósito, ainda que, muitas vezes, não nos seja revelado. A “escravidão” que algema a natureza será um dia retirada. Ela será “libertada (...) para a gloriosa liberdade dos filhos de Deus” (Rm 8.21). A Bíblia prediz que haverá novos céus e terra. Pedro falou no dia em que todas as coisas serão renovadas (At 3.19,21). Fomos salvos na esperança, ainda que temporariamente gememos interiormente, aguardando o dia de “adoção”. A realidade da fé nos permite olhar para um futuro glorioso, além dos sofrimentos desta vida. O tempo presente representa as “dores de parto” à luz da esperança maravilhosa do futuro.

Se cremos na soberania de Deus, podemos contar com o Espírito para nos orientar na oração. Facilmente, o cristão poderia pensar que Deus abandonou a criação, que está fora de controle pela maneira como os sofrimentos desta vida alcançam os que parecem não merecê-los. Mas quem diria que a mãe grávida merece passar pelas dores de parto? Ela entende de antemão que essas dores são o caminho pelo qual tem de passar para ganhar a recompensa incomparável de um filho. Assim, o Apóstolo afirma que os sofrimentos do tempo presente não devem ser comparados com a glória que será revelada.

A gloriosa confiança dos remidos está enraizada no que eles sabem, isto é, que Deus faz todas as coisas cooperarem para o bem daqueles que O amam e são chamados segundo o Seu propósito (v. 28). Os sofrimentos desta vida são utilizados por Deus para cumprir o Seu propósito, o que somente pode ser bom.

A soberania e amor de Deus são o bálsamo do cristão. Pela fé, esperamos o mundo futuro invisível que substituirá a amaldiçoada natureza fadada a perecer para dar luz aos novos céus e terra. A terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar (Hc 2.14). As dores de parto terminarão na gloriosa revelação dos filhos de Deus, quando Jesus Cristo voltar e destruir todos os inimigos, inclusive o último que é a morte. Maranatha!

Russell Shedd é PhD em Teologia do Novo Testamento e doutor em Divindade.

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