Edição 74 - SET / 2007
Busca 
EDIÇÃO 74 > MULHER
Como são criadas as essências que geram emoções
O que você sabe sobre perfumes?
Rosana Melo

O que leva uma pessoa a se perfumar: o desejo de se sentir mais bonita e de provocar emoções? Tentar atrair o sexo oposto? Tornar-se inesquecível? São inúmeras perguntas e possíveis respostas. Mas, para o francês Thierry Bessard, perfumista sênior da Givaudan do Brasil, empresa que cria aromas e fragrâncias, o importante é não esquecer que o perfume é antes de tudo a expressão da individualidade de cada um e o desejo de transmitir a melhor impressão pessoal.

Ele, que começou sua carreira em 1981, depois de abandonar sua formação em Medicina para integrar-se à ISIPCA, uma escola superior internacional de perfumaria localizada em Versailles, já trabalhou em diversos países como Alemanha, Austrália, Espanha, Estados Unidos, França e Inglaterra. No Brasil, participou do desenvolvimento de perfumes como o Lights e o Portinari, do Boticário, e dos Kriska e Biografia Feminino, da Natura, além de também ter desenvolvido fragrâncias para a L’Oreal de Paris, entre outras internacionais.

Bessard conta que a criação de uma fragrância se traduz pela combinação harmoniosa de um conjunto de matérias-primas. “São levadas em conta, no processo criativo, as informações passadas pelo cliente, quem irá consumir a fragrância, as preferências olfativas do mercado, o conceito que envolve a fragrância e também as características técnicas, como estabilidade dos ingredientes e coloração”. O número de notas que um perfume pode conter varia muito, mas basicamente são encontrados mais de cem ingredientes em um único frasco.

Os perfumes, Bessard explica, são divididos em: extrato, que contém a maior porcentagem de óleo essencial, entre 30% e 35%; parfum (entre 20% e 30% de óleo essencial); eau (água em francês) de parfum (entre 15% e 20%); eau de Toilette (entre 10% e 15% de óleo essencial) e colônia, que contém entre 5 e 10% de óleo essencial.

As matérias-primas usadas são as naturais e as sintéticas. No primeiro caso, são utilizadas frutas cítricas, flores e madeiras. As sintéticas podem ser algumas frutas, o musk e o âmbar. “O Brasil tem matérias-primas nacionais e naturais como o limão, a laranja, a copaíba e a menta, que são encontradas em abundância no país”, informa Bessard.


O francês Thierry Bessard é perfumista sênior da Givaudan do Brasil, integrada à Escola Superior Internacional de Perfumaria: “No processo criativo, são consideradas informações passadas pelo cliente, quem irá consumir a fragrância, as preferências olfativas do mercado, o conceito que envolve a fragrância e também as características técnicas, como estabilidade dos ingredientes e coloração”

Não existe uma formação obrigatória para ser perfumista. Alguns são químicos e outros freqüentam escolas de perfumaria. A inspiração para criar um perfume depende de vários fatores, mas o que o inspira como um todo é a sensibilidade, amar cheiros e suas diferentes combinações e o desejo de surpreender positivamente as pessoas e emocioná-las. “É olhar o mundo de uma maneira livre, observar as pessoas, respeitar as diferenças e a individualidade. É um aprendizado diário”.

PERFUMES: UNS AMAM, OUTROS ODEIAM

Ao mesmo tempo em que o perfume causa fascínio e prazer em algumas pessoas, em outras beira à repulsão, seja por problemas de saúde ou por intolerância a determinadas fragrâncias. A relações-públicas Marlene Gomes, de Brasília, crê que o perfume precisa se afinar com a personalidade de quem o usa. “Não adianta adquirir perfumes de grife se você não se identifica com a fragrância”, opina. Ela tem preferência por perfumes amadeirados e masculinos.

Mas há também quem não tolere o uso de perfumes, como é o caso da assistente social Francisca Assis. Ela tem alergia ao perfume, e a proximidade com eles faz desencadear reações nada agradáveis. “Se o perfume for forte, costumo espirrar; o nariz entope e eu fico tonta. Algumas vezes, já senti enjôos”, conta.

A jornalista Denise Teixeira tem sua opinião formada. “O que procuro em um perfume é algo que me identifique com ele. Tem que ser parecido comigo, ter a minha cara. É isso que faz a diferença”. A jornalista é quase uma expert em perfume e diz que o seu predileto é Narciso Rodriguez For Her.




OS CHEIROS E AS SENSAÇÕES

O olfato é o mais primitivo dos sentidos e está diretamente associado às funções do organismo que regem as emoções. A memória olfativa é a comunicação que ocorre pelo olfato. Ela reconhece o cheiro imediatamente e comunica ao corpo seu significado, resgatando, assim, emoções que foram associadas a ele no passado e que geraram a memória.
A informação que passa pelas narinas é processada pelo sistema límbico, parte do cérebro responsável pela memória, sentimentos, reações instintivas e reflexos.
A psicóloga clínica Sabine Cavalcante, mestre em Saúde Coletiva e também professora da Universidade Santa Úrsula e do IBMR (Instituto Brasileiro de Medicina de Reabilitação), diz que qualquer fragrância está ligada a um significado específico e distinto para cada pessoa. “Por exemplo, o cheiro de alho torrado na cozinha pode remeter à infância de determinada pessoa. Um perfume específico pode fazer lembrar do pai, da mãe, do namorado ou da situação em que aquela pessoa sentiu aquele perfume pela primeira vez”, explica. O significado dos cheiros é sempre fruto de uma associação com pessoas, lugares, situações, épocas e emoções vividas, que tanto podem ser boas como ruins. Vai depender da história individual de cada pessoa.






A indústria do perfume, segundo a psicóloga, soube aproveitar essas sensações variadas. “Convencionou-se que os perfumes adocicados são femininos e os amadeirados masculinos. Mas hoje já existe um componente social: no momento em que as mulheres adquiriram uma independência maior, começaram a usar fragrâncias amadeiradas”, observa.
As primeiras memórias, e as mais fortes, recebidas pelo bebê, ao nascer, são a olfativa, a auditiva e a tátil, de acordo com Sabine. “No útero, no final da gravidez, o bebê escuta e, quando nasce, recebe os estímulos tátil e olfativo, e este fica mais forte quando o pulmão se abre. São memórias inconscientes”. A memória racional, a da linguagem, que surge quando a criança balbucia as primeiras palavras, se dá por volta do primeiro e segundo ano de vida.



Cristão de Gaiola
R$ 15.00
Muito Mais que um Sonho de Gilmar e Aline Barros
R$ 16.50
Sem perder a alma
R$ 21.90